Curiosidades

Amores imperfeitos mais que perfeitos

Casais de Apucarana contam como transformaram dificuldades em verdadeiros “alicerces” para uma vida a dois

Que dificuldades acontecem num relacionamento, todo mundo sabe. Agora, transformá-las em verdadeiras virtudes para a vida a dois, não é para todos. Para esta edição, entrevistamos casais com diferentes histórias, porém inspiradoras.

A primeira delas é do massagista Cláudio José Leal, 49 anos, e da costureira Romilda Lopes, 57 anos, de Apucarana. Com frequência, os dois são vistos correndo juntos, como muitos casais. A diferença é que ela é a guia dele, que é deficiente visual, o que chama a atenção dos outros quando passam por eles.

Cláudio Leal e Romilda Lopes

Porém, o que chama atenção à primeira vista, torna-se algo muito pequeno diante da cumplicidade do casal. Os dois se aproximaram depois de dançar um bolero no Cube dos 40, em Apucarana. De lá para cá, já se passaram três anos e meio e, além de continuar dançando aos finais de semana, os dois passaram a correr juntos e a colecionar medalhas em dupla.

Ambos, no entanto, dizem que o preconceito sempre existe, mas não dão o menor espaço para os pré-conceitos dos outros. “Ele me vê além das aparências, percebe como eu estou pelo meu tom de voz, diferente de muitas pessoas que têm dois olhos, mas não enxergam o outro”, diz Romilda.

Aliás, Romilda garante que encontrou um verdadeiro príncipe e não economiza elogios para falar do namorado, que tem um alto-astral peculiar e, de vez quem quando, faz questão de tocar teclado para ela. “Eu tinha tudo para ser uma pessoa depressiva, pedi meu pai aos 12 anos, a visão aos 20 num acidente de carro, enfrentei o câncer (de Hodgkin) por duas vezes, precisei de transplante de medula e no ano passado fiz cateterismo, mas não sou. As pessoas, às vezes, criam problemas em cima de pouca coisa”, acredita.

“Amor é companheirismo. Não tem cobrança. Ninguém é propriedade de ninguém”, define Cláudio, com o aval da namorada.

Amor: um sentimento em construção

A história de amor entre a psicóloga Natália Mantovani Viotti, 26 anos, e o militar da Marinha Vinícius Felipe Viotti, de 29 anos, de Apucarana, ganhou um novo capítulo no final de abril deste ano, com o casamento religioso. Juntos há nove anos, a cerimônia religiosa aconteceu depois de mais de um ano depois do casamento civil, que aconteceu em fevereiro do ano passado. “O casamento tem uma simbologia diferente. É um momento muito especial, porque faz com que a escolha de estarmos juntos se concretize perante Deus e isso traz uma responsabilidade muito maior para quem é religioso”, avalia Natália.

Natália e Vinícius Viotti num dos locais preferidos do casal: o próprio apartamento

Vinícius e Natália se conheceram através de um amigo em comum e, depois de muita conversa, encontros e desencontros, começaram a namorar em 3 de agosto de 2010. No início, o relacionamento era a distância. Ela morava em Apucarana, onde estudava Psicologia, e ele, em Florianópolis (SC), cidade onde foi morar após entrar para a Marinha.

Nesse período, Vinícius foi transferido para o Rio Grande do Sul e no dia 29 de dezembro de 2011 sofreu um acidente do carro em Rio Grande. Ficou um mês internado após o capotamento e acabou perdendo os movimentos das pernas.

O casal descreve que o momento foi muito difícil para todos, pois, de uma hora para outra, a vida tinha mudado de forma drástica. Porém, a partir desse momento também começou, na avaliação deles, um relacionamento de verdade. “Estávamos mais próximos fisicamente, nos víamos com muito mais frequência e, assim, aquela paixão que sentíamos um pelo outro foi crescendo e foi virando um amor único. Ficamos mais companheiros, mais amigos e sempre imaginando como seria nossa vida no futuro”, diz Vinícius.

Natália, por sua vez, não nega que em alguns momentos teve a decisão de permanecer no relacionamento após o acidente questionada. “Isso é normal, pois se trata de uma situação muito delicada e incerta. As pessoas perguntavam para saber como ficaria nosso relacionamento. Fomos vivendo dia após dia, nos aproximando mais e estamos aqui”, sublinha, observando que com o tempo Vinícius ganhou mais mobilidade tornando não só a vida dele, mas a do casal, mais fácil.

Ao todo foram sete anos de namoro até o pedido de casamento, que aconteceu durante uma viagem do casal à Gramado (RS).

“Não existe um namoro perfeito, um casamento perfeito, sem discussões. Porém, o acidente nos ensinou a valorizar pequenos momentos, a sermos mais parceiros, mais confidentes e a paixão do início se transformou em amor. Acreditamos que o amor é uma construção diária”, afirma Natália.

Cuidado constante um com o outro

Nem toda dificuldade por qual passa um casal, salta aos olhos de quem está próximo. A empresária Rosimeire Demarques Dourado, 47 anos, e o marido, também empresário Anderson Dourado, 48 anos, se conhecem desde a adolescência, quando começaram a namorar. Na época, ela com 16 anos e ele com 17. Apesar da pouca idade, planejaram o futuro juntos, como construir a casa própria antes de casar, o que aconteceu depois de 13 anos, período que aproveitaram para concluir os estudos e ingressar no mercado de trabalho.

Rosimeire Demarques Dourado e Anderson Dourado

Até aí tudo muito tranquilo. O teste de sobrevivência veio mesmo após um ano de casamento. Meire, como é chamada, percebeu que tinha ganhado uns quilinhos a mais. À princípio, culpou os novos hábitos alimentares do casal e procurou ajuda de um endocrinologista para perdeu os 4 quilinhos que havia ganhado. E foi durante a consulta que veio a surpresa: uma suspeita de câncer de tireoide. “Fiquei apavorada. Chorei três dias. Mal conseguia dormir por mais que o médico tivesse falado que não era grave”, recorda.

O tumor foi identificado numa fase inicial, mas a tireoide precisa ser retirada. Meire optou por fazer o procedimento num hospital de Curitiba. E Anderson fez questão de acompanhar a esposa em todos os momentos, inclusive durante a recuperação.

Para Anderson, o período mais difícil veio depois da cirurgia. “O médico havia me explicado que durante um período seria muito comum ela ter variação abruptas de humor, por causa da retirada da tireoide”, lembra. E, como previsto, o humor oscilou. Valseava com facilidade entre a tristeza e a alegria. E nesses momentos, Anderson garante que permaneceu paciente e sabia que era uma fase passageira.

Depois de três meses, Meire deu início a reposição hormonal e, como o esperado, a variação de humor deixou de ser um problema. Passados quatro anos, nasceu a primeira filha do casal, Anna Clara, 15 anos, e depois de seis anos veio a caçula, Anna Luiza, hoje com 9 anos.

São 20 anos de casados e várias fases e descobertas. Porém, ambos garantem que nunca deixaram de cuidar um do outro.

“Sempre me atendo as datas importantes para nós e se vejo algo que acho que ela iria gostar, dou de presente. É uma maneira de demonstrar o meu carinho”, revela Anderson.

Meire garante que faz o mesmo e diz que para ela: “Amar é fazer o outro feliz e cuidar um do outro”.

Texto, Vanuza Borges
Fotos – Sérgio Rodrigo

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